"Pela última vez"

Minhas mãos frias no volante anunciavam a proximidade da sua casa. Aquela, que embora agora estivesse vazia, continuava tão familiar, tão marcante e tão nossa, quanto sempre fora. Desde sua partida não havia reunido coragem suficiente para retornar àquela garagem escura e apertada, onde ainda ecoavam nossos gritos e gemidos das tantas vezes que sequer aguentávamos cruzar a soleira da porta escura antes de nos devorarmos. Devorar sim, pois aquilo que fazíamos era mais que amor e mais que sexo. Era uma voragem de sensações, toques, desejos, gemidos e beijos. Era intenso, era mais.
Desde que você se fora, procurei em outros aquilo que achava em você. Porém, por mais que sentisse outros beijos e dormisse em outros braços, nunca ninguém me preencheu da maneira que você o fazia. Com você não era só físico, tampouco só emocional. Com você era quebra-cabeça, era mistura heterogênea, era pot-pourri, e tudo isso se derramava sobre mim feito lava incandescente, me alcançando e marcando para sempre. Estagnada sob você como uma pintura que aguarda seu artista.
Lembro-me bem da última vez que ouvi o barulho do seu carro. Um ruído que invadia minhas lembranças e me preenchia das tantas vezes nos acolhíamos nos bancos de trás para apagar a chama que nos consumia enraivecida. E me lembro de dormir nos seus braços ainda quentes do esforço para me dar prazer. Esforço esse que nunca te venceu, por mais desafiante que fosse.
Lembro do cheiro do seu perfume preso ao meu travesseiro. Às vezes quase o sinto de novo. Às vezes parece que você nunca se foi, que desistiu de seguir a vida em outro lugar e voltou para mim. Às vezes sinto que deveria ter te seguido, mas havia coisas demais e minha coragem se esvaiu. Sempre houve coisas demais entre nós. Esse foi o motivo de ter deixado você escapar pelos meus dedos como areia, lenta e invariavelmente.

Mas, enfim, retorno ao lugar que sempre quis para nós. E o faço pela última vez. Agora, quem parte sou eu. Para longe de todas as coisas em que você ainda está presente, mesmo que distante. Para longe da sua influência, mesmo que ausente. Vou embora, e vou por você, para você e sem você. Pela última vez.

Vontade


Tô com vontade de sexo. Não é de gozar. Não do gesto instintivo e natural do mesmo. Precisando do toque. Das mãos. Dos lábios. Dos seios. Da pele. Dos sussurros. Das mordidas. Da unha cravando na pele, me pedindo pra ir mais fundo. Do ritmo ofegante. Do suor. Da umidade. Da adrenalina a cada descoberta. Da troca de olhares maliciosos. Do medo. Da falta de inocência. Do desejo de não acabar. Da troca de juras. Das quase-ofensas que não serão levadas adiante. Dos i’s com pingos ou não. Do barulho da cama. Dos risos. Dos gritos. Dos urros. Do prazer. De você.

Mania

Era uma Puta, dessas bem comprometidas com o trabalho. Uma "Putinha", como gostava de ser chamada. Só não cobrava diretamente mas fazia de tudo. Com cada parte de seu corpo, sabia fazer algo único. Talvez por isso continuava a ser desejada mesmo tendo tendo o odômetro gasto. Todos do time de futebol - todos, sem exceção - já haviam rolado com ela. E ela gostava, e ainda gosta da coisa. Vivia de roupinha colada e aqueles olhos cor de mel contrastando com sua tez branquinha a faziam charmosa. O salto discreto mas sempre presente no pé realçavam a sua bundinha mais que perfeita. Os seios, formosos nada exagerados. Um pouco caídos, pela maldade da gravidade e pelo tamanho, mas até aí nenhum homem reclamara. Só ela achava ruim, mas no fim se convencia quando os seus lhe diziam: na horizontal, a gravidade sai perdendo. Por fim, era única, e gostava de ser assim. Sem lugar pra dúvidas, ou questionamentos. Apenas pro prazer, puro e próprio.

Xariar

Não. Não suportaria vê-la com outro. Chegou em casa e a única coisa que conseguia pensar era naquela cena. Os dois ali, encostados no pilar da danceteria. Bocas mais que juntas, corpos quase em fusão. A temperatura do ambiente ainda ajudava a esquentar o clima do casal. Um ritmo frenético de mãos, bocas e pélvis. Se não fossem as roupas, seria atentado ao pudor. Só que não era ele que estava ali. Era só mais um. Um outro qualquer que ela encontrou na noite. Algumas horas atrás, uma briga. Ofensas mais que gratuitas. Um basta ao que já havia se quebrado faz tempo. Resolveu sair pra esfriar a cabeça. Ela também. Agora, em casa, tentando dormir mas atormetado. Ela, já em casa também, em prantos, arrependida pelo que fez. No dia seguinte, desvia a rota. Entra na loja escondida em meio a um beco, e deposita no balcão todo o dinheiro reservado pra uma viagem: Quero aquela ali. O Sol refletia o prateado do cano. Guarda na mochila. Uma ligação. Diz que precisam conversar. Atordoada, consente e marca em sua própria casa, dali uma hora. Em menos de meia hora de conversa, mais prantos e um beijo da pseudo reconciliação, que visa oficiliazar o término. As bocas se unem, e a atração é mais forte ainda. Mãos levantando blusas e abaixando braguilhas. Ritmos nunca antes experimentado entre os dois. Tudo muito bom porém muito rápido. Cansados e no mínimo confusos, deitam, cada um pra um lado. Ela dorme, tentando amenizar a sua confusão mental. Ele, se enraivece sabendo que é a última vez que isso iria acontecer. Se veste. Abre a mochila. Aponta a arma recém adquirida pra cabeça dela. A mão treme. Uma lágrima escorre. Um gatilho é disparado. As sirenes ecoam pelo bairro. Os paramédicos e bombeiros entram na casa, já cercada pela polícia. Lá fora o delegado, sem sucesso, pergunta o que aconteceu pra garota que chamou a polícia. Ela só teve coragem de ligar e dizer que havia um corpo em seu quarto. Perdera a voz tentando entender. Esparramdos pelo chão, ele encoberto de sangue e a arma. Sabia que precisava morrer em sua cabeça pra que ela seguisse em frente, mas não literalmente.

Frênulo labial

Mais uma tarde como qualquer outra. O céu acinzentado, as mesmas tarefas. O mesmo calhamaço de relatórios em cima da mesa. O ritmo frenético dos dedos no computador ligado e um celular deixado de lado. Repentinamente a porta se abre, e ele aparece. Rouba um beijo e começam a conversar. Ela reclama do cansaço. Ele, da distância e da saudade. Não se contentam e mais um beijo, um tanto quanto prolonogado é dado. Após alguns susurros de convencimento no ouvido, ela cede e eles vão embora de maõs dadas pelo corredor do setor. Dirigem-se até o carro dele, e dão tchau ao porteiro simpático. Em menos de cinco minutos, já estão na casa. Dele. Sobem as escadas frenéticamente, rindo por descobrirem estarem sós. Ela se joga na cama, e diz que vai dormir. Ele, pára e senta na beirada. Apenas a observa. A união da maior delicadeza e do melhor sentimento existente na sua vida, até o momento, estava ali: linda, descansando em sua cama. Como quem não quer nada, inclinou-se até sua amada, e com a mão por cima de seu ventre, beijou-a. A mão entra embaixo da camiseta conforme o beijo é dado, e as dela, tentam impedir, sem sucesso. Com carinhos e mais carinhos, rapidamente ambos estão nus. As mãos passeiam por uma rota incerta enquanto as bocas se encontram. Tomam ritmo, quase que artisticamente. Há tempos não o faziam, e agora matam mais que a vontade. A sede, já não existia mais. Ali, expressavam mais que amor. O fogo ainda se fazia presente. A paixão, o acompanhava. E ambos caminhariam, lado a lado.

Coliseu



Um beijo. Pescoço. Línguas festejam, tentando um entrelaçamento não tão bem sucedido. Risos. Abafados por um novo encontro entre de línguas. Os braços, a carregam e soltam-na sobre a cama, enquanto os lábios se devoram. Ainda. Os masculinos em um desvio de rota, alcançam a orelha feminina e sussuram arrepios. Os dedos dele, encontram o botão e o zíper de uma saia. Arranca sem delicadeza alguma, e ansiosos sobem rumo ao fecho do sutiã, já expostos. Os seios mal despidos, mãos o acalentam e os suportam para que um beijo quase infindo se dê. As mãos delicadas, no entanto, já encontraram o membro em riste, enquanto este teima para se livrar do jeans que o aperta. Enfim livre, o passeio da mão feminina continua e acaba por cravar as unhas não tão grandes nas costas largas dele. Este, nu e ela, somente com uma peça de roupa. Íntima. Inferior. O suor já se faz visível, assim como a elevada ansiedade por ambas as partes. Se unem e tomam ritmo. Calor intenso, urros, gemidos. Suspiros. E assim, suada, molhada, despenteada, ainda era linda. Talvez em sua mais bela forma. Com a frequência aumentada, o tão buscado êxito se faz presente. Ainda em fogo, celebram com mais um ósculo ardente, retomando o mínimo de fôlego necessário para repetirem o ato. Não só mais uma vez. Afinal, hoje é domingo.


(inspirado na música "Saia" - Alexandre Nero. http://www.frequency.com/video/saia-alexandre-nero/22841953)

Basium



Um beijo roubado. O início de tudo. Bochecas rosadas. O amor que envolvia o casal se entrelaçava a lascividade que os consumia. Os lábios começaram a se encontrar com os dela, desceram ao colo, e rumaram em direção ao tórax. Devorava com voracidade tudo o que encontrava, não deixando sobrar nem um rastro sequer. O beijo íntimo se dava demoradamente, dando uma acelarada ou outra vez em quando. As pernas delicadas e lisas deslizavam pelo pescoço masculino numa atitude sem sucesso de parar tal ósculo. A retribuição veio logo em seguida, tendo o pescoço e o abdome como principais alvos. O beijo intimo nele foi recebido com mais que aceitação, enchendo de urros e desejos o cômodo. Os lábios de ambos se encontram mais uma vez, e vagarosamente se mordiscaram com voluptuosidade. Os corpos tomaram ritmo, e os urros tomaram frequência e intensidade. O que se passava entre os dois os enchia de vitalidade e só aumentava. Não dava espaço para restrições. Exaustos, fizeram os lábios se encontrar de novo, mas calmos. Selando o que sentiam.

Fuga

Um olhar, de canto. Mudos. Sem nehuma palavra, e diziam tudo. A saudade, a vontade, o tempo perdido (que agora era mais que ganho). Sem dizer nada, a puxou e disse ao pé do ouvido que precisavam conversar. A sós. No carro. Suspense e medo instaurado, cobertos por desejo. E este, era maior do que se imaginava. Já no local combinado, apenas um beijo, longo e demorado com mordidas e tudo que se tem direito. As mãos saciaram as pré-vontades e alimentaram o ar libidinoso. Sendo assim, partiram rumo a um lugar no qual pudessem ficar em paz. A estrada estava escura e somente alguns postes luziam. Pareciam velas, e a mestre maior era a Lua. No acostamento, lábios se encontram. As mãos carinhosamente abrem caminho pro banquete . Um riso abafado por um beijo devido a um embaraço inebriante. Uma blusa que sobe, um vestido que desce, um sorriso que sobe, a vergonha que some. E a cada beijo, a cada afago, a cada toque, a adrenalina ia a mil. Após os caminhos se encontrarem, a velocidade acompanhava a vontade. Quanto mais se tinha, mas se sentia. A cada saciada, um novo atalho a ser tomado. Combustível findado, retorno fácil. As vias carnais, agora já não eram inéditas. E o caminho quase padrão agora.

Retorno


Uma briga. Rotineira. Tosca. Nada demais. Um dia inteiro sem se falar. Evolução. Uma semana sem se falar. Para um casal como eles, isso era tortura. Viviam grudados. Arroz e feijão. Casal Clichê. Uma esbarrada ao acaso. Troca de olhares. Um telefonema. Um jantar. Um beijo. Em casa, outro beijo. Outros beijos. Uma mão desce, procurando abrigo no calor. A outra segura, para que ninguém fuja. Lábios encostados, respirações concentradas e ofegantes, declarações mais que intensas. Ambos queriam. Olhar lascivo. Beijos libidinosos. Volúpia instaurada. O falo rochoso ganha abrigo em mãos quentes enquanto a língua dele, desperta o prazer feminino.Selvageria. Gemidos altos. Não aguentam mais e tomam posição. Ela ajoelha na cama enquanto ele vem por trás e sem cuidado algum puxa seus cabelos loiros a jogando na cama. Sem pudor, a rasga. Ela grita. Ele urra. Ritmam-se. Se beijam. Seios apalpados, ancas pressionadas. Param e mudam: os abdomes se encontram e se ritmam novamente. Não aguentam mais, e brindam o prazer. Deitam e dormem. Sem brigas.
Amor?

Piche


Hoje. Me beijou. Me jogou na cama com toda a voracidade que te coube. Me expôs as tuas vontades. Eu, as fiz sem reclamar. Você é que me dá o que eu preciso. O que desejo. O que me faz ser mulher. E eu, sem mais, te dou. Você sabe disso e não me implora. Nem eu, pois também o queres. Talvez um dia não me queiras. Arranjaste outra. Aí então, me perco como já me perdi. Fujo, em busca de outros que me vêem apenas como um pedaço de carne. Só falta atar-me os pés e estabelecer um preço. A você, não me vendo. Dou. Pode ingerir cada pedaço meu, com o ritmo que queres. Você é que me dá todo quente e espesso. Que me dá tudo que eu mereço e não me nego. Não me nego. Não mesmo. É você que sinto falta. É de você que sinto falta. Se não me quiser mais, perco te também. Não quero nem vê-lo, imaginá-lo. Sentimento tolo, que dura uma semana. Quando me abandonastes procurei outros. Nenhum tinha seu cheiro, seus gestos, seu corpo, e em nada eram parecidos ao preencherem meus desejos carnais. Doce guia. Teu falo, um farol para iluminar minha excitação. Oxigênio para comburir mais a fervura de minhas pernas. Silêncio e a vontade de gritar. A embriaguez dos seus movimentos me inebriavam. Arrepiavam. Loucura. Suor embaçante da visão. Sabes o que quero. Sabes que tenho o que você quer. Vai, e leva. Leva um bocado de mim. Ainda te respiro. Espero tua volta, com a volúpia a me consumir. Se você não me quer mais, eu quero.