Piche


Hoje. Me beijou. Me jogou na cama com toda a voracidade que te coube. Me expôs as tuas vontades. Eu, as fiz sem reclamar. Você é que me dá o que eu preciso. O que desejo. O que me faz ser mulher. E eu, sem mais, te dou. Você sabe disso e não me implora. Nem eu, pois também o queres. Talvez um dia não me queiras. Arranjaste outra. Aí então, me perco como já me perdi. Fujo, em busca de outros que me vêem apenas como um pedaço de carne. Só falta atar-me os pés e estabelecer um preço. A você, não me vendo. Dou. Pode ingerir cada pedaço meu, com o ritmo que queres. Você é que me dá todo quente e espesso. Que me dá tudo que eu mereço e não me nego. Não me nego. Não mesmo. É você que sinto falta. É de você que sinto falta. Se não me quiser mais, perco te também. Não quero nem vê-lo, imaginá-lo. Sentimento tolo, que dura uma semana. Quando me abandonastes procurei outros. Nenhum tinha seu cheiro, seus gestos, seu corpo, e em nada eram parecidos ao preencherem meus desejos carnais. Doce guia. Teu falo, um farol para iluminar minha excitação. Oxigênio para comburir mais a fervura de minhas pernas. Silêncio e a vontade de gritar. A embriaguez dos seus movimentos me inebriavam. Arrepiavam. Loucura. Suor embaçante da visão. Sabes o que quero. Sabes que tenho o que você quer. Vai, e leva. Leva um bocado de mim. Ainda te respiro. Espero tua volta, com a volúpia a me consumir. Se você não me quer mais, eu quero.

Nenhum comentário:

Postar um comentário