Delicadeza

No ecrã, apenas proferidas pois não houve troca. Quanto mais você se vai, mais me vou. no meio de uma fumaça que sinto possuir um concreto no fim. Poucas vezes nos falamos. Você ainda me pediu pra falar mais. Apenas pra falar oi. Pessoalmente fica difícil conversarmos, porque ao te ver minhas pupilas dilatam, a mandíbula não cerra, a adrenalina não mais vaga e sim flutua, fico num limiar com minha repolarização. Difícil de entender. Fácil de esclarecer ao ver teu rosto harmônico, teu belo corpo, seus quadris nem tão largos e nem tão pequenos - que me enlouquecem caso te veja por trás. Queria era poder sentir o seu perfume. Cheirar o teu pescoço, abraçar encaixando meus braços sobre os teus. Fui à sua casa. Você mal sabia. Não sei se esperava. Apareci por motivos festivos. Te vi, cumprimentei. Mentalmente, te beijei. A escuridão não me deixou reparar em suas pupilas. Ok, as convenções sociais também não. Conversei com os outros, mas sempre de olho em você. O álcool me deu a liberdade e fui falar. Tão triste depender de fatores etílicos. Mas falei. Nada de romântico. Naquela hora eu queria era te beijar, levar-te a qualquer canto para que isolados, pudessemos ficar juntos por tempo indeterminado sem nada nem ninguém para nos perturbar. Não precisaria do sexo, apenas de sua companhia. O sexo seria interessante, mas o melhor ali era você. Não pude deixar de reparar novamente em você quando se partiu da cozinha rumo a seu dormitório. Ah, esse quadril. Você, eu tinha certeza que poderia envolver, já és até menor que eu. Mas grande em proporções. Me anima o fato de que poderemos conviver mais tempos juntos e então quem sabe um dia, poderei me realizar e sentir tua boca a me esquentar, tua mão a me provocar e tuas pernas se entrelaçarem a minha elevando nosso amor ao máximo.

Reunião

Tente se concentrar, sua mente lhe dizia em vão. Mesmo durante a reunião do setor, ele só pensava nela. Mais um erro. Gostoso, porém errado. Ainda mais ele, casado. Sua mulher nem desconfiava. Dava era graças por ter um marido do porte dele, alto, moreno, com músculos definidos mas nada exagerados. Altíssimo. Ela, pouco mais baixa, encorpada mas devido a idade nem tão no ponto. Infelizmente não possuia tantos recursos antes do casamento, o que a deixou assim. Mas o suficiente pra despertar algo em seu atual marido. Ele, só pensava nela. Não em sua esposa, e sim nela. Baixinha, cintura médiana, quadris realçados, seios medianos devido à silicone, cabelos longos, loiros em harmonia com sua pele branca. Macia. Animalesca, mas delicada. Pagou, e pagou com gosto. Ela soube fazer o serviço. Tratou de seu monumento como poucas vezes tinha sido. Sua gruta era meio inexplorada. Viu tantas qualidades nela que jamais imaginara porque ela rumou pra essa vida. Esse trabalho. Vai ver ela gosta - ou precisa. Isso era o que mais o incomodava. Saber que ela precisava de dinheiro em troca dos outros abusarem dela. Ela a tratou bem. Soube levá-la a loucura (ou ela fingiu bem), explorou com a língua todos os cantos possíveis dela, soube acariciar seus seios sem machucá-los mas a excitando cada vez mais. Hoje, ia jogar bola. Ela, já o esperava. Amor mal pago.

Ó, notívaga noite...

Conquanto sonhasse com teus lábios mais do que dedicasse empresa a propósito de possuí-los, contemplar-te todos os dias, todavia, desperta em mim força tal, que me é escusado resistir-lhe.
(...)
Ah, a noite, mãe de todas as paixões. Vejo-te. então tu me vês. Fito-te com toda intensidade e significado que consigo reunir, esperando que tudo compreendas através dos meus olhos, em que descortina-se a profundidade que o amor lhes confere. Aproximo-me. Tu tentas manter-te a calma. Silenciosamente, exprimo-te meus desejos. Enlaço-te. Ser-te-ei delicado. Sei que nunca viveste o amor. Sei que nada sabes dessas coisas.
(...)
Primeiro, apenas beijo-te, como que a viver o último ato da minha vida. E permito-te beijar-me. Os lábios descolam-se delicada e brevemente para dar passagem ao ar, que enche os peitos em haustos. São suspiros, gemidos e interjeições de prazer. Leio-te os olhos, como que à alma, em uma voracidade de sentimentos. E tenho que apoiar-me, pois as pernas me faltam, tamanha a fúria com que vibram e contraem-se em sede luxuriante de sentir-te as suas...

Realismo

Gotas caem. Suas costas gelam. Aspirante a ocupar um cargo maior, se empenha ficando mais tempo do que devia no escritório. Perde o ônibus. Mesmo na chuva, vai a pé pra casa. Sabia dos riscos. Chegou. Desmontou o guarda chuva, deixando para secar. Jogou-se na cama. Ficou descansando um pouco. Sua tez morena, assim como seu cabelo, parecia aliviada, só pelo fato de estar em casa. Tirou as botas, jogando-as longe. Revelou o pé delicado tal qual parecia ter sido obra de escultura. Unhas detalhadamente desenhadas. Mal sabia o porquê, se já não tinha a quem mostrar. Não entendia como uma morena daquelas, encorpada, portadora da digna bunda brasileira, cintura larga e boa de se apertar, barriga definida e seios grandes e empinados, poderia estar assim: Sozinha. Sim, estava solteira, mas o que mais a incomodava era o fato de estar sozinha. Fazia muita falta um homem. Fazia muita falta o sexo. Os dedos usados pra provocar sensações proibidas já não valiam mais. Quebraram um galho. Retirou a roupa, revelando seu corpo. Ligou o chuveiro e enquanto esperava a água esquentar, ficou assistindo a um programa na TV, nua. Adentrou e a água desceu seu corpo com uma facilidade fatal. Começou a se ensaboar, fechou os olhos. Subitamente, ele aparece. Seus olhos cor de mel, contrastavam com sua face branca. Alto, com um porte nem tão atlético, mas cuidado. Ruivo. Envolveu-a em seus braços e a beijou. Quente. Ela sentiu o órgão dele pulsando, pedindo abrigo. O dela, se voluntariou prontamente e antes que pudesse compreender, já estavam ritmados. Continuou beijando-o, e as mãos apalpavam os glúteos dele, meio durinhos. As dele, massageavam os seios dela, excitando-a ainda mais. Como loucos, se amavam. Então veio o tremor. O frêmito. Se agarrou as costas dele. Gemeu. Urrou. Ele sumiu. Ela, desesperada o procurava. Se enxaguou. Enxugou. Saiu sem rumo. Do outro lado da calçada, ele era o transeunte. Ir ou não atrás. Ela soube escolher. E decidiu.

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Texto criado com a colaboração de Boscolo, Aline Duarte.

Enjaulado

Eu fazia força para acreditar. Era díficil. Você ali, se declarando em atos para mim. Fiquei há tantos anos esperando. Ignorava-me como um pássaro enjaulado ao seu cuidador. Vez em quando me atiçava só pra confirmar que estava em suas mãos. Cansado de me prender entre suas falanges, esguiei-me entre indicador e polegar. Sumi. Após longo tempo, achaste. Se encaixou entre meus dedos, cansados de usar os seus. Eu, repeti suas cenas. Soube te prender muito bem. Nossa cama te segurava. Nunca tivera tanto regozijo e plenitude de sentidos quanto lá. Sabia te envolver, provocar. Mas era mútuo, confesso. Seus encantos me prendiam lá também. Nossas anatomias reveladas e expostas ao amor excêntrico, a um vértice da tríade vital. Cerebelo mais que funcional. Sabiamos usar a boca, as mãos, o falo, o grelo, tudo para nos surpreender não só um ao outro, mas cada vez mais a nós mesmos. Tua inundação se completava à minha rocheza e firmávamos um estado elevado. Mas é só o tempo acabar e você e eu e o "nós" irmos embora, para a rotina reestabelecer-se. No fim de semana repetimos, findando as mesmices. E a cada oportunidade, renovamos nossos sentimentos. Sem pudores, sem restrições. Somente desejo, vontade e o mais moderno amor.

Rapel

E pensar que já pude ter tudo isso em minhas mãos. Avistei-a do outro lado da avenida - esperando o sinaleiro. Me chamou a atenção o decote, que valorizava sua fartura. Abundante quando os tocava. Me escondi subitamente para que pudesse continuar reparando em ti. Veio devaneada - pensando em coisas alheias, imaginei. Seu jeans de cintura baixa realçava o caminho. Meu antigo caminho. Você era o mapa. Gostava de te abrir sobre a cama e traçar a rota da volúpia. Levar minha boca à sua pra abastecer-me de tesão. Suas carícias aumentavam a potência. Tudo tão automático. Flex. Eramos dois diferentes mas em um só. E pensar que hoje ando em marcha lenta. Você aparentava estar bem. Eu estava mal, mas agora melhor. Te dei o meu melhor. Você me deu também. Mas não o seu melhor. Me deu, várias vezes, o que outras mulheres dão. Prazer. Mas não correspondeu ao que eu queria, o amor mais profundo. Era algo profundo literalmente, mas não o que eu desejava, esperava. Você era diferente. A devassidade em forma de pessoa. Era eu te ver pra você me comprimentar com um beijo na boca e logo descia ao meu pescoço. Lembro do teu perfume característico - um doce envolvente. Era só você estalar os dedos, e eu me aguçava ficando pronto pra te explorar. Tua boca esquentava o meu guia e abria minha mente para novos caminhos. Hoje, a lanterna anda apagada. Realizei outras viagens, mas nenhuma teve a mesma aventura que você sabia me proporcionar. Ando só na bocha.

Vigas.

Gosto dos beijos de olhos abertos; os seus são de hortelã. Dentro desse engodo ao qual eu me entreguei você não tem opção. Agora são paredes ao nosso redor. Antes de se entregar, jure para mim. Com os pés separados. E diz que eu não sou apenas mais um ator. Um odor a compartilhar. De estar aqui é o supra-sumo dos nossos encontros casuais. Meu coração cavaco cambembe é vital num corpo prestes a exaurir-se. E em dois. Com todos os opcionais inclusos. As mãos na quarta parede me faz ver você à frente de um grande prazer que estar por vir. Entre injeções e grachas corporais, de todas as tolêrancias eliminadas. Até o último tostão. Domina-me feito vênus bailarina. Hortelã nos ouvidos. Os sentidos posso ouvi-los daqui. Assim como todas aquelas flores do campo. Ainda que eu tenha de rouba-las para estar contigo, minha paciência quer um pouco mais. Cobre-me de beijos, frêmitos e terremotos. O carnaval na obra. E o que as lajes souberem, ah. O bom tom do prazer. Ardente. Deixa estar.

Unção

Cor de fogo. Fácil de se distinguir entre os outros. Não pela cor da cabeleira a qual sou fascinado, mas pela beleza de seus gestos. Ela não era lá a mais bonita nem a mais admirada. Mas tinha lá o seu modo de me conquistar. O jeito que falava, que olhava em meus olhos - os seus brilhavam. Mas será que é só comigo? Creio que sim. Aos poucos fui confirmando. Nos envolvemos. Lábios selados. Quentes. Rubores. Você, toda dímida. Vergonha - e se alguém nos pegar? Peço perdão pela expressão - que se dane o mundo. Individualismos. De tão reservada, me sentia seguro contigo. Eras mais que confiável. Como um casal, adquirimos confiança. Elevamos-na a tal ponto que pudemos nos acalentar desnudos um ao braço do outro. Após um longo banho, estavas só de roupão. Eu, após uma ducha, deitado a tua espera. Veio lentamente, misturando receio à sensualidade. Confesso que me excitei. Deitou-se. Calou minhas expressões ferozes com seus lábios úmidos, cheios de vida naturalmente. Mais uma vez, quentes. Lacei-a pela cintura e puxei a faixa central, revelando seu corpo, nunca visto por mim antes. Muitos diriam não ser nada demais, mas vindo de você era. Uma voluptuosidade se casou entre nós, e você revelou-me também. Admirada, achei que fosse a primeira vez que vistes, mas percebi que não. Os beijos desceram e logo alcançaram meu pescoço. A passividade deu lugar à agrssão carinhosa e mordiscadas se fizeram. Tudo tão normal pra nós. Logo tomamos frequência e tudo foi ficando mais vital. Nos envolvemos cada vez mais profundamente. E literalmente. Seu corpo, modesto em medidas, alojava mais prazeres que eu podia imaginar. Minha carne ardia, e nos consumiamos. As grutas inferiores se enchiam de sangue e te preenchiam. Inundação quase que mal controlada. Era tanta inebriedade que mal conseguia me manter. Você também. Mal sei definir o término, mas sei que ainda repetiremos o começo e o meio. Sem direito a fins. O que eu entendo por ser meu É tudo que eu posso te dar O meu amor mas primeiro eu Preciso saber se você vai gostar...

Ó, lascivos lábios...

A boca. Eis o que a mim mais fascina em ti. Como são absolutos os teus lábios em meu mundo de sonhos. E como a boca minha deseja-lhe a tua desesperadamente...
(...)
Mas como podeis, então, tu seduzir-me tão completa e irresistivelmente? Sinto rimbombar-me no peito o coração, quando, ao acaso, ocorre-me te ver passando; e, por reservas, volto a cabeça, para que tu não me vejas nos lábios o irreprimível sorriso que sinto subir a eles. Iluminas-me. Ponho-me a divagar sobre as intercorrências do destino que colocar-nos-iam em comunhão. E incendeia-me o corpo sonhar com a docilidade dos beijos teus.
(...)
Silêncio. Eis o que a mim mais fascina em tua boca. Essa quietude que cobre-te como que com a suave e terna melancolia dos amantes saudosos. E teus lábios selados lançam-me em um ímpeto luxurioso de tomar-te nos braços, findado todo o comedimento. Vivamos nosso indizível amor (!)...
(...)
em itálico, trecho livremente baseado em Gustave Flaubert

Nelson Rodrigues

Seu cabelo loiro ainda me persegue. Tenho sua imagem em delírios noturnos. Acordo com rubor e calor. Um objeto a ser conquistado. Te descobri ao acaso - brincadeira num banco. Logo algo foi crescendo -logo algo mais abaixo, foi crescendo. A noite, recordo de seu corpo: seios fartos mas nada exagerados; uma garupa grandiosa mas proporcional ao seu corpo; um abdôme nem malhado nem desleixado - na medida certa pro meu prazer. Teu rosto leitoso me agrada muito e me deixa a desejar morder suas bochechas e teu pescoço. Vontade incessante de lhe abrir as cortinas de carne e provar do teu gosto mais interno, íntimo e reservado (creio) e me arder numa intensidade inalcançável. Quero te sentir em todas as dimensões, sentir seu perfume enquanto usa as mãos pra me provocar. Calafrios. Arrepios. Selvageria. Apalpo tudo o que posso, e tento loucamente ritmar encaixes sem direito a relances e tomadas de fôlego. Falta de ar. Luxúria embriagante. Temos o mesmo tamanho tanto vertical quanto horizontalmente, salvo alguns detalhes. E a cada noite nos encontramos, nos tornamos únicos, seres fundidos em buca de regozijo - nos meus sonhos. E a cada dia nos vemos. Nos falamos. Nos envolvemos. Tu és compromissada e te respeito - externaemente. Mas ainda sim me acho um crápula por imaginar que um dia possas estar livre e aí, aproveitarei. Se lavasse e passasse seria perfeita. Lavava?

Ó, sofríveis sonhos...

Sonho com ti. Enrubesce-me a face, às vezes, tais sonhos. Mas como haveria de ousar não sonhá-los? Não poderia negar-lhes o domínio sobre a alma minha. São sonhos de uma voluptuosidade tal, inebriantes, entorpecentes. Avassaladores. E sonho, sobremaneira maior, seria tornar-me os sonhos reais. Hei de afastar-me dos ideais platônicos. Ah, o lirismo desses amores jamais consumados; acalentam-nos o espírito, mas não nos silencia o corpo. E o corpo clama, em frêmitos, por gloriosa satisfação.
(...)
Enquanto teus dias seguem-se por calmas águas, meus sonhos são revolta tempestade, que, breve, há de arrebatar-te a serenidade e te lançar aos bravios oceanos do amor. Esse amor, por si só, tão subversivo. E o leito, então nosso, será águas que conhecerão épocas de deliciosa tormenta. Em beijos, não darei descanso à boca tua, que trazes sempre velada em misterioso e sedutor silêncio. Enquanto devaneio-me em esses sonhos, meu coração segreda: - Deixa-me aquecer-te as pernas entre as minhas...

Cadeiras.

Eu e toda a sua feminice. Simplesmente o melhor de você é o que absorvo. Exigente, caliente. Exuberante. Nas plataformas pedestais o melhor da vaidade e arrogância que retira o meu último suspiro. Em todas as embalagens, em todas as ruas. Tão atraente. Embasbacar é o mínimo ao falar. Há sempre um ar extridente. Cítrico. Me tira do sério. Eu quero esquecer de ser tímido e invadir um hiato entre duas palavras. As que você sempre me diz. No fim do Muito Obrigado pode ser tarde demais. Mas não passa disso. O meu sonho atualmente é o que você comeu. Teimosa, cheirosa, charmosa. O barulho dos grandes brincos acenam para mim uma fronde que concorda comigo. O meu cheiro são sonhos, doces e culpas. E ao servir-lhe sou mordomo de sua vontade e serviçal de minha libido. E agora perante você e minha bandeija de possibilidades. E saber que todos os dias você vem até mim. Na mesma hora. No mesmo maldito lugar. Ah. Que eu quero, de todas as formas. Assim, desequilibrado. Como serviçal. Como você quiser. O meu menu soletra os prazeres. Ajoelho-me e lhe demonstro a cortesia que eu quero lhe dar. Entre as coxas, o óbvio Muito Obrigado é sussurrado dentro do ouvido. Por favor, faça o seu pedido. Duas palmas é a ordem. Abre-te Césamo e eu vou lhe tocar.

Alô

Sem folêgo. Foi assim que me senti quando te vi ali, parada. Carro emparalhado a você, transeunte na calçada. Logo, te reconheci. Paixão de longa data. Tez branca, macia, pequenina, cabelos curtos, acima do ombro. Corpo miúdo, mas com um bom toque de sensualidade. Sua ampla anca continua a me provocar. Passado a distração, decidi. Conversamos. Mal sei ao certo sua reação, mas que parecia espanto, parecia. Trocamos telefones. Já era algo de se vangloriar. Eu, nem tão velho para grisalhices, nem tão novo para penugens. Idade média. Os anos não parecem ter tido efeito sobre você. Continua irresistível desde o colegial. Tempos bons. Não voltam. Passado uns dias, tomei coragem e te liguei. Voz melosa, doce. Continuava me embriagando. Combinamos um filme. Não me pergunte sobre a história. Mal sei o título. Mataste toda sua fome . Dali, quarto. Corpos vorazes, linguas palpitantes, bocas unidas, braços e pernas misturados. Todo meu vigor, escondido há tempos, se manifestou. Não se sabia ao certo de quem era o quê. Como se fosse a última vez. Assim que nos entendemos. Porque hoje, vou-me embora. E foi. Deixei te em casa. Dia seguinte te liguei. Fora da área. Passei em seu prédio. O porteiro me disse que você nuca havia morado ali. Minha mente deu um nó. Assim como nossas pernas no dia anterior. Mútuo. Fui embora, desconsolado. A embriaguez da noite deve me ter feito esquecer o local correto. Mas ainda lembro do ritmo, da libido, de todo gosto de sua carne, de todas as apalpadas, todas as mordidas, lambidas entre outros. Era estranho demais não ter sido real. Olhei me no espelho. As marcas ainda estavam lá. Comprovei. Você, me largou. Esqueceu-me. Eu, lembrarei de ti. Te ligo mais uma vez. O telefone só toca. Era a bateria? Hípótese mais que provável. Tento uma terceira tentativa. Na singela expressão, um alívio. Ainda nos recordamos. Mais uma noite nos vimos. Na entrada do restaurante, te admirei. Você estava vestindo um... imagine.

Arrepio

Lá vem você me provocar de novo. Eu gosto dessa sua ousadia. Vem, me deixa bilhetes românticos, mas quando nos falamos, apenas banalidades.  Coisas alheias. Amo como você me pergunta com simplicidade do meu dia. Mesmo sabendo que é só pra eu te olhar diferente. Sim, adorei o jeito que senti teu corpo. Em sonho. Mas senti. O passeio de tuas mãos em meu corpo, cravando suas unhas em minha carne. Volúpia mais que acometida. Meus faros e sensos aguçados, meu corpo mais que excitado. Estado de ebulição. A temperatura sobe a medida que nossos corpos se juntaram, nossa roupa se abriu e tudo se esclareceu. A frequência gerada, as estacas formadas o arrepio que nos consumiu. Eu sei que você sempre sonhou com esse momento. Pude perceber ao te ver pulsando. Pedindo o que só eu pudia dar - naquele instante. Esse, era meu maior temor. Embora minha natureza latejasse encharcada, eu não sabia se era certo. Depois, você iria me taxar. Fácil. Leviana. O oposto. Sim, eu te quero do fundo dos meus sentimentos. Do fundo das minhas intimidades. Não só meu coração te pede, mas meu corpo. Mas depois daquela noite, tive é medo de me entregar. Você queria se entregar, mas não o fez. Nossas bocas pediram o encontro e você, fugiu. Foi nesse instante que você me perdeu. Ou me ganhou. Ou te perdi. Ou te ganhei. Já não sabemos ao certo. Eu sei o que você quer. Sei muito bem o que eu quero - embora aparento ser indecisa. Mesmo após tudo que me fizeste, não me abalei. Sou mulher acima de tudo. De carne e osso. Tenho meus prazeres, minhas decepções, meus orgulhos e meus medos. Você taxa de frieza. mas é medo. De me entregar e me decepcionar mais uma vez. Então, meus sonhos me consolam e o tempo... esqueça. Já não há mais. Ou há, e eu não quero cedê-lo. Perdeste e ganhaste; Só não sabes ao certo o quê.

Leal.

Eu não valho nada. Não porque não sei escolher. Mas porque eu não paro de pensar. E é em você. De todas as formas. De todas as poses. Eu quero o seu sorriso. Me aproximar cada vez mais; mais e mais. Eu mais você. Assim, juntos. A amizade não pode mais. Basta a conversa, as coisas alheias. Ontem eu sonhei com você em prantos, bruscamente apareci e calei-lhe com um beijo. O meu corpo é o seu. Um só. Eu não quero dois. Eu quero um só. Descabido, estranho. Sim. Um só. Cansei de lhe despir com os olhos. Há algo que pulsa, pula e arrebata com a sua presença. Majestosa. Me vejo tanto em você que esqueci em algum pensamento que sou alguém. À quatro mãos, à vinte dedos, haverá um instante que eu trasmitirei calor de mais perto. Em meus braços, as mãos deslizam em um gracioso corpo esferóide. Notável. Dou a volta e avanço num encontro e desencontro sucessivo dos sentidos casuais. E assim eu vou escolher. E se amar, se amar até o fim. De uma noite ou de todas eu vou te querer. Incessantemente, impensavelmente, desesperadamente. E com as mãos, num pedestal maior; o maior prazer. Te cravo entre os rins e lhe vejo no céu.

Penugem

Ria. Ria como se o mundo fosse acabar naquilo que lembrara. E pensar que se acontecesse agora, seria outra a reação. Ainda gostava dela. O objeto das vontades. O dia que a viu sem blusa. Já fazia tanto tempo. O corpo já nem era maduro. Agora, adolescentes. Como queria a repetição da cena. Ela lá, trocando de blusas, frente a janela. Ele, só olhando. Sentiu algo o corroer por dentro. Um calor absurdo. Um rubor de faces. Crescia. O objeto da verdade. Lembrando, cresceu também. Encorpou. Foi ao banheiro tomar uma ducha. Precisava se refrescar naquele verão. Precisa passar seu desejo. Ainda grande, a imaginação fluía. Ela vinha provocante - ele inocente e escondido na multidão que a apreciava. Mas ele foi o escolhido. Nesse instante, todos sumiram. As bordas embaçadas e o vidro também. O local parecia conhecido - um campo. Sozinhos, nus. Um beijo alucinante - diferente do único que dera. então ela abaixou. Coordenava seus movimentos de modo a satisfazer-se, enquanto delirava. Agitado, vangloriou-se. Depois, a tristeza - queria ter passado mais tempo ali. Ao término, enxugou-se. Foi para o jogo de futebol. Ela estava na torcida. Fez o gol da vitória. Ela veio comemorar junto. Nesse instante, todos sumiram.

Libidinagem

Retorno mais que esperado. Com agilidade enfiaram as malas dele no carro e rumaram pra casa. No aeroporto um beijo estalado. Seguido de um beijo caloroso, profundo, úmido. Intimidades pulsantes. Saudades da carne. Abriram a porta, largaram tudo na sala. Foram se despindo, enquanto se beijavam e seguiam em direção à cama. Somente de roupas íntimas, se entrelaçaram. A relevância dele pulava pra fora. Uma mão feminina a acariciava. As dele, estavam sobre os seios dela. Os acariciava de forma sutil, porém jeitosa. Eles não eram lá muito fartos, mas nem desprovidos. De tal forma que cabiam certo em suas mãos. Mãos grandes, fortes, envolventes. Subiam e desciam. Usava os dedos e provocava sensações de que ela sentiu saudade durante a viagem. Ela desceu o corpo. A língua da fêmea encontrou os detalhes pubianos do macho. Uma mão segurava a outra, um pouco mais abaixo. A sensação por ele tão esperada. Após longo tempo de regozijo, inversão de papéis. Beijo a 6 lábios - os dele e os íntimos dela. Uma língua que passeia voraz, em busca de um líquido precioso e raro. E ele sabia como extraí-lo. Quando estava perto, seu couro cabeludo era pressionado com vigor, sua cabeça pressionada pelas coxas da companheira. Logo retomaram a posição inicial, e tudo tomou ritmo. Encaixe certeiro. Mãos viajantes. Sensações deliciosas. Bocas pulsantes. Anatomias estraladas. Urros e gritos. Selvageria. Ele sabia e ela queria. Ambos acabaram por infundir seus extratos. Fluídos do desejo . Cansados, adormeceram. Acordaram, repetiram. Durmiram. Acordaram, repetiram. Durmiram. Ciclo do prazer.

Escuro

Você partiu. Antes, um beijo. Quente, úmido, acalorado. Gostosa sensação. Aquela junção de quadris, mas nada muito forte. Adentrou ao ônibus. Vi suas glamurosas ancas, cheia de prazeres, rebolando, dançando harmonicamente enquanto você partia. Sua tez branca tornou-se levemente rosada na região de suas buchechas. Seus cabelos loiros que tantas vezes se enrolaram em meu peito, agora presos. O que me alegrava é que em menos de uma semana eu te veria de novo. Fui pra casa. Confesso que ligeiramente desconsolado. Liguei o Rádio: Nando Reis - Por Onde Andei. Embora casasse com o momento, acabei por desligar. Não me fazia bem. Já sentia sua falta. A lua iluminava o meu caminho. A lua que já nos assitiu juntos tantas vezes. Aquela vez na praia deserta - você amando o perigo, e eu amando você. Lembrei-me de nossa primeira vez. Cômico, para não dizer trágico. Aquela correria - bati a cabeça na cabeceira. Desacordado. Você me leva ao hospital. Até hoje mal nos lembramos da explicacação dada. No quarto, a cama me convida a lembrar de você. Banhei-me. Deitei-me. Adormeci. Na ilusão sonífera, estamos sós. O local é amplo, místico, misterioso, envolvente. Amoroso. Nossos desejos se cruzam. Você me olha com voracidade e eu te olho com fome. Queria ficar com você ali, até me saciar. Loucos começamos a nos beijar e as roupas saíram mais que depressa do nosso corpo. Nossos detalhes anatômicos perfeitamente desenhados, ou não, se encaixam numa harmonia e tomam ritmo. Os labios juntos, pescoços envolvidos. Pernas trançadas. Intimidades mais que reveladas, em relação mais que íntima. Vamos ficando ali, como dois animais no cio. Vontades incessantes, mordidas, lambiscadas. A dor se mistura ao prazer. Acordo assutado. O desejo, não se ocultou. Vou ao banheiro. Tomo um copo d'água. Acalmo-me. E deito, esperando te reencontrar novamente.

Passeio

Os dedos levados à boca. Passeiam constantes entre os 6 lábios. Aquele fogo por dentro, aquela sensação que ela não sabe como controlar. Quer ser preenchida, mas a distância só dificulta. Lembranças, flashes e emoções. Lembrou a primeira vez. Levou a mão mais abaixo. Uma mistura de dor e regozijo. Constância. Leveza. Peso na consciência. Ainda bem que mora sozinha. Relembrou o beijo em sua rosa. O primeiro. Ritmo aumentado em dedilhadas. Vigor constante. Nada melhor que ela própria pra conhecer seu próprio corpo. Pelos arrepiados, sensação de calafrios e prazer. mamilos enrijecidos. Tesão espalhado. Nada segurava. Queria sentir aquela taquicardia, aqueles espasmos, o fluído saindo do seu corpo. Preferia o que entrava, mas não poderia obtê-lo no momento. Na memória, o primeiro falo. Nunca vira nada parecido. Nem nos outros que vira. Aquela pulsação em sua mão. Fascínio. Natureza mais que relevante. Ficou receosa mas queria sentí-lo pulsando em sua boca. Seu medo era machucá-lo. Mas que queria mordiscar, queria. Rodeada por esses pensamentos e mãos inconstantes, acelerou. Cada vez mais rápidos. Gemidos. Suspiros. Tremidas. Umidade. O tão esperado Espasmo. Deitada, se recuperava. E relembrava o momento primogênito.

Estalo.

Por que de todas as formas é tão bom assim? É chegar em casa e sentir o comichão interno; não é estranho. Eu não me lembro a vez que foi a primeira. Decoro os flashes dos melhores momentos. Minha memória insólita é um flashback contínuo de nós dois juntos. Todas as vezes. Vai e volta. Essa noite eu vou sonhar acordado. De longe é muito pior. As cortinas são alcoviteiras das sensações que se desprenderam de mim e caminharam em direção a você. Vontade de te morder os lábios. De respirar ofegante sobre o cangote que traz um aroma suave de ti. Tudo ferve. Ah. E pensar além do que mais? No suor embaçador dos óculos, o sangue ferve e o sufoco é a melhor das sensações. Eu quero é o seu abraço mais forte. Tudo se encontra entre o que ferve. Nada de pudores. Imperioso. Nada de argumentos. Vibra, treme e desfaz. Assim, do jeito que só a gente faz.