Escuro

Você partiu. Antes, um beijo. Quente, úmido, acalorado. Gostosa sensação. Aquela junção de quadris, mas nada muito forte. Adentrou ao ônibus. Vi suas glamurosas ancas, cheia de prazeres, rebolando, dançando harmonicamente enquanto você partia. Sua tez branca tornou-se levemente rosada na região de suas buchechas. Seus cabelos loiros que tantas vezes se enrolaram em meu peito, agora presos. O que me alegrava é que em menos de uma semana eu te veria de novo. Fui pra casa. Confesso que ligeiramente desconsolado. Liguei o Rádio: Nando Reis - Por Onde Andei. Embora casasse com o momento, acabei por desligar. Não me fazia bem. Já sentia sua falta. A lua iluminava o meu caminho. A lua que já nos assitiu juntos tantas vezes. Aquela vez na praia deserta - você amando o perigo, e eu amando você. Lembrei-me de nossa primeira vez. Cômico, para não dizer trágico. Aquela correria - bati a cabeça na cabeceira. Desacordado. Você me leva ao hospital. Até hoje mal nos lembramos da explicacação dada. No quarto, a cama me convida a lembrar de você. Banhei-me. Deitei-me. Adormeci. Na ilusão sonífera, estamos sós. O local é amplo, místico, misterioso, envolvente. Amoroso. Nossos desejos se cruzam. Você me olha com voracidade e eu te olho com fome. Queria ficar com você ali, até me saciar. Loucos começamos a nos beijar e as roupas saíram mais que depressa do nosso corpo. Nossos detalhes anatômicos perfeitamente desenhados, ou não, se encaixam numa harmonia e tomam ritmo. Os labios juntos, pescoços envolvidos. Pernas trançadas. Intimidades mais que reveladas, em relação mais que íntima. Vamos ficando ali, como dois animais no cio. Vontades incessantes, mordidas, lambiscadas. A dor se mistura ao prazer. Acordo assutado. O desejo, não se ocultou. Vou ao banheiro. Tomo um copo d'água. Acalmo-me. E deito, esperando te reencontrar novamente.

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