Retorno
Uma briga. Rotineira. Tosca. Nada demais. Um dia inteiro sem se falar. Evolução. Uma semana sem se falar. Para um casal como eles, isso era tortura. Viviam grudados. Arroz e feijão. Casal Clichê. Uma esbarrada ao acaso. Troca de olhares. Um telefonema. Um jantar. Um beijo. Em casa, outro beijo. Outros beijos. Uma mão desce, procurando abrigo no calor. A outra segura, para que ninguém fuja. Lábios encostados, respirações concentradas e ofegantes, declarações mais que intensas. Ambos queriam. Olhar lascivo. Beijos libidinosos. Volúpia instaurada. O falo rochoso ganha abrigo em mãos quentes enquanto a língua dele, desperta o prazer feminino.Selvageria. Gemidos altos. Não aguentam mais e tomam posição. Ela ajoelha na cama enquanto ele vem por trás e sem cuidado algum puxa seus cabelos loiros a jogando na cama. Sem pudor, a rasga. Ela grita. Ele urra. Ritmam-se. Se beijam. Seios apalpados, ancas pressionadas. Param e mudam: os abdomes se encontram e se ritmam novamente. Não aguentam mais, e brindam o prazer. Deitam e dormem. Sem brigas.
Amor?
Piche
Ainda

Heroe.
Le mensonge est bonne
Marquês de Sade, à vontade. Lá estava ela, se entregando a mais uma fantasia. O encontro foi marcado num restaurante. Ansiosidade. mal ela sabia com quem iria encontrar. Experiência divertida. Ele não usava nenhuma peruca e nenhuma roupa diferente de seu estilo habitual. Mas se passava por um estrangeiro. Sotaque. Francês. Bicos pra cá, bicos pra lá. Por fim, ela beijou o gringo. Susto, pois ele reagiu com espanto como se mal soubesse o que estava pra ocorrer. O namorado com personalidade mudada a espantava muito. E excitava. Se inundava de vontade de conhecer o sexo parisiense. Ele, queria fazer algo pra ela depois de tanto que já recebeu. Se entregaram ao carnal, já em casa. Ela, ao ver as intimidades dele reveladas, se espantou como se nunca tivera visto nada igual. E viu, inúmeras vezes. Mas o que fez, foi a primeira vez. Despiu-se ficando apenas de calcinha. Uma mão envolveu o membro. A outra, desceu para suspirar. Com a maior delicadeza, o envolveu em sua veludez. Rapidamente coordenou os movimentos de suas mãos para acompanhar sua boca. Ele ia a loucura. Suce ma bite. O sotaque inebriável. Trocaram as funções. Ela, deitada e ele a beijá-la intimamente. Suce-moi. Me faire venir. Je suis tout à toi. E nesse jogo de palavras buscavam o amor. Ritmaram-se e se conheceram mais. Ofegantes, riam. Nada mal para um primeiro encontro.
Maverick

O tempo passava. Ele já não conseguia esperar mais. Tudo tão rotineiro transformado de repente. Antes dela, chegava as 18h em casa. Seus pais não reclamavam. Agora, no mínimo as 21h. Os pais, duas panelas de pressão. Sua intimidade também chiava. Nunca conseguira sentir o mesmo sentimento em ambas as partes do seu corpo. É só vê-la pra que tudo acelere. Para que tudo que há, aumente. Ela ainda não vinha. Esperou no carro. Adormeceu. Acordou com um beijo estalado e um carinho um tanto quanto quente. Seu tronco pela janela fez a blusa meio largada descer, expondo a silhueta mais que apreciada. Ali mesmo, sem pudores, as mãos entraram. Dela, na calça. Dele, por baixo da blusa. Se beijavam com os lábios e as mãos. Se jogou no colo dele e pularam pro banco de trás. Em euforia, nus. Compassos e desejos. Nunca como antes. Cada dia algo novo. Isso o provocava. Até demais. Aquele instante já fazia parte dos seus sonhos, embora ainda não o tivesse sonhado. Para ele, sem esperanças. Agora a realidade o consome. Como fogo. Rubor. Acabaram por se trancar no carro, na rua escura e dormir. O tempo, já não passa mais.
Nenhuma
Complacência

Percebi. Ter você ali ao meu lado não bastava. Precisava estar em infusão junto a ti. Ali, parados não éramos nada. Fomos. Viemos. Inúmeras vezes. Esse seu respirar. Teu abdome não é exemplo de definição porém é mais que perfeito pra mim. Repouso sobre teu peito. Tua mão vaga até encontrar minha mais profunda libido. Minha boca procura te acalentar. Desço, e malvadamente não completo. Deixo te entrar. Penetras profundamente até onde posso sentir. E é tudo. Mais que tudo. Complexidade. Grandeza. Elevação. Ritmos. Gritos. Um quarto fechado. Abafado. Estocadas e satisfações. Massageei te. Parei e novamente abaixei. Não completei deixando pra que você me proporcionasse por mais tempo. Queria te sentir cada vez mais dentro de mim, nesse ritmo inconstante e delicioso. O Falo. O Grelo. O teu. O meu. Me virava cada hora de um jeito e se satisfazia ao mordiscar meus mamilos. Meus seios passeavam pela suas mãos e cada vez enrijecia meus mamilos. Você, uma rocha. Deixei você abaixar dessa vez. Cada linguada era uma sensação de quero mais; quando utilizava os dedos era mais calorento ainda. Acabei por fluir. Você ainda não. Invertemos. Boca em teu, tua boca em minha profundeza. Fiz, com mais prazer ainda e acabei por finalizar. Você insistiu em ir pelo caminho errado, mas neguei. Quem sabe numa próxima vez? Juntos, podemos tudo. Sozinhos, quase.
Claridade
Litoral
Delicadeza
Reunião
Ó, notívaga noite...
Realismo
Gotas caem. Suas costas gelam. Aspirante a ocupar um cargo maior, se empenha ficando mais tempo do que devia no escritório. Perde o ônibus. Mesmo na chuva, vai a pé pra casa. Sabia dos riscos. Chegou. Desmontou o guarda chuva, deixando para secar. Jogou-se na cama. Ficou descansando um pouco. Sua tez morena, assim como seu cabelo, parecia aliviada, só pelo fato de estar em casa. Tirou as botas, jogando-as longe. Revelou o pé delicado tal qual parecia ter sido obra de escultura. Unhas detalhadamente desenhadas. Mal sabia o porquê, se já não tinha a quem mostrar. Não entendia como uma morena daquelas, encorpada, portadora da digna bunda brasileira, cintura larga e boa de se apertar, barriga definida e seios grandes e empinados, poderia estar assim: Sozinha. Sim, estava solteira, mas o que mais a incomodava era o fato de estar sozinha. Fazia muita falta um homem. Fazia muita falta o sexo. Os dedos usados pra provocar sensações proibidas já não valiam mais. Quebraram um galho. Retirou a roupa, revelando seu corpo. Ligou o chuveiro e enquanto esperava a água esquentar, ficou assistindo a um programa na TV, nua. Adentrou e a água desceu seu corpo com uma facilidade fatal. Começou a se ensaboar, fechou os olhos. Subitamente, ele aparece. Seus olhos cor de mel, contrastavam com sua face branca. Alto, com um porte nem tão atlético, mas cuidado. Ruivo. Envolveu-a em seus braços e a beijou. Quente. Ela sentiu o órgão dele pulsando, pedindo abrigo. O dela, se voluntariou prontamente e antes que pudesse compreender, já estavam ritmados. Continuou beijando-o, e as mãos apalpavam os glúteos dele, meio durinhos. As dele, massageavam os seios dela, excitando-a ainda mais. Como loucos, se amavam. Então veio o tremor. O frêmito. Se agarrou as costas dele. Gemeu. Urrou. Ele sumiu. Ela, desesperada o procurava. Se enxaguou. Enxugou. Saiu sem rumo. Do outro lado da calçada, ele era o transeunte. Ir ou não atrás. Ela soube escolher. E decidiu.
-//-
Texto criado com a colaboração de Boscolo, Aline Duarte.
Enjaulado
Rapel
Vigas.
Unção
Ó, lascivos lábios...
Nelson Rodrigues
Ó, sofríveis sonhos...
(...)
Enquanto teus dias seguem-se por calmas águas, meus sonhos são revolta tempestade, que, breve, há de arrebatar-te a serenidade e te lançar aos bravios oceanos do amor. Esse amor, por si só, tão subversivo. E o leito, então nosso, será águas que conhecerão épocas de deliciosa tormenta. Em beijos, não darei descanso à boca tua, que trazes sempre velada em misterioso e sedutor silêncio. Enquanto devaneio-me em esses sonhos, meu coração segreda: - Deixa-me aquecer-te as pernas entre as minhas...


