Enjaulado
Eu fazia força para acreditar. Era díficil. Você ali, se declarando em atos para mim. Fiquei há tantos anos esperando. Ignorava-me como um pássaro enjaulado ao seu cuidador. Vez em quando me atiçava só pra confirmar que estava em suas mãos. Cansado de me prender entre suas falanges, esguiei-me entre indicador e polegar. Sumi. Após longo tempo, achaste. Se encaixou entre meus dedos, cansados de usar os seus. Eu, repeti suas cenas. Soube te prender muito bem. Nossa cama te segurava. Nunca tivera tanto regozijo e plenitude de sentidos quanto lá. Sabia te envolver, provocar. Mas era mútuo, confesso. Seus encantos me prendiam lá também. Nossas anatomias reveladas e expostas ao amor excêntrico, a um vértice da tríade vital. Cerebelo mais que funcional. Sabiamos usar a boca, as mãos, o falo, o grelo, tudo para nos surpreender não só um ao outro, mas cada vez mais a nós mesmos. Tua inundação se completava à minha rocheza e firmávamos um estado elevado. Mas é só o tempo acabar e você e eu e o "nós" irmos embora, para a rotina reestabelecer-se. No fim de semana repetimos, findando as mesmices. E a cada oportunidade, renovamos nossos sentimentos. Sem pudores, sem restrições. Somente desejo, vontade e o mais moderno amor.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário