Penugem
Ria. Ria como se o mundo fosse acabar naquilo que lembrara. E pensar que se acontecesse agora, seria outra a reação. Ainda gostava dela. O objeto das vontades. O dia que a viu sem blusa. Já fazia tanto tempo. O corpo já nem era maduro. Agora, adolescentes. Como queria a repetição da cena. Ela lá, trocando de blusas, frente a janela. Ele, só olhando. Sentiu algo o corroer por dentro. Um calor absurdo. Um rubor de faces. Crescia. O objeto da verdade. Lembrando, cresceu também. Encorpou. Foi ao banheiro tomar uma ducha. Precisava se refrescar naquele verão. Precisa passar seu desejo. Ainda grande, a imaginação fluía. Ela vinha provocante - ele inocente e escondido na multidão que a apreciava. Mas ele foi o escolhido. Nesse instante, todos sumiram. As bordas embaçadas e o vidro também. O local parecia conhecido - um campo. Sozinhos, nus. Um beijo alucinante - diferente do único que dera. então ela abaixou. Coordenava seus movimentos de modo a satisfazer-se, enquanto delirava. Agitado, vangloriou-se. Depois, a tristeza - queria ter passado mais tempo ali. Ao término, enxugou-se. Foi para o jogo de futebol. Ela estava na torcida. Fez o gol da vitória. Ela veio comemorar junto. Nesse instante, todos sumiram.
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