Gotas caem. Suas costas gelam. Aspirante a ocupar um cargo maior, se empenha ficando mais tempo do que devia no escritório. Perde o ônibus. Mesmo na chuva, vai a pé pra casa. Sabia dos riscos. Chegou. Desmontou o guarda chuva, deixando para secar. Jogou-se na cama. Ficou descansando um pouco. Sua tez morena, assim como seu cabelo, parecia aliviada, só pelo fato de estar em casa. Tirou as botas, jogando-as longe. Revelou o pé delicado tal qual parecia ter sido obra de escultura. Unhas detalhadamente desenhadas. Mal sabia o porquê, se já não tinha a quem mostrar. Não entendia como uma morena daquelas, encorpada, portadora da digna bunda brasileira, cintura larga e boa de se apertar, barriga definida e seios grandes e empinados, poderia estar assim: Sozinha. Sim, estava solteira, mas o que mais a incomodava era o fato de estar sozinha. Fazia muita falta um homem. Fazia muita falta o sexo. Os dedos usados pra provocar sensações proibidas já não valiam mais. Quebraram um galho. Retirou a roupa, revelando seu corpo. Ligou o chuveiro e enquanto esperava a água esquentar, ficou assistindo a um programa na TV, nua. Adentrou e a água desceu seu corpo com uma facilidade fatal. Começou a se ensaboar, fechou os olhos. Subitamente, ele aparece. Seus olhos cor de mel, contrastavam com sua face branca. Alto, com um porte nem tão atlético, mas cuidado. Ruivo. Envolveu-a em seus braços e a beijou. Quente. Ela sentiu o órgão dele pulsando, pedindo abrigo. O dela, se voluntariou prontamente e antes que pudesse compreender, já estavam ritmados. Continuou beijando-o, e as mãos apalpavam os glúteos dele, meio durinhos. As dele, massageavam os seios dela, excitando-a ainda mais. Como loucos, se amavam. Então veio o tremor. O frêmito. Se agarrou as costas dele. Gemeu. Urrou. Ele sumiu. Ela, desesperada o procurava. Se enxaguou. Enxugou. Saiu sem rumo. Do outro lado da calçada, ele era o transeunte. Ir ou não atrás. Ela soube escolher. E decidiu.
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Texto criado com a colaboração de Boscolo, Aline Duarte.
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