Rapel

E pensar que já pude ter tudo isso em minhas mãos. Avistei-a do outro lado da avenida - esperando o sinaleiro. Me chamou a atenção o decote, que valorizava sua fartura. Abundante quando os tocava. Me escondi subitamente para que pudesse continuar reparando em ti. Veio devaneada - pensando em coisas alheias, imaginei. Seu jeans de cintura baixa realçava o caminho. Meu antigo caminho. Você era o mapa. Gostava de te abrir sobre a cama e traçar a rota da volúpia. Levar minha boca à sua pra abastecer-me de tesão. Suas carícias aumentavam a potência. Tudo tão automático. Flex. Eramos dois diferentes mas em um só. E pensar que hoje ando em marcha lenta. Você aparentava estar bem. Eu estava mal, mas agora melhor. Te dei o meu melhor. Você me deu também. Mas não o seu melhor. Me deu, várias vezes, o que outras mulheres dão. Prazer. Mas não correspondeu ao que eu queria, o amor mais profundo. Era algo profundo literalmente, mas não o que eu desejava, esperava. Você era diferente. A devassidade em forma de pessoa. Era eu te ver pra você me comprimentar com um beijo na boca e logo descia ao meu pescoço. Lembro do teu perfume característico - um doce envolvente. Era só você estalar os dedos, e eu me aguçava ficando pronto pra te explorar. Tua boca esquentava o meu guia e abria minha mente para novos caminhos. Hoje, a lanterna anda apagada. Realizei outras viagens, mas nenhuma teve a mesma aventura que você sabia me proporcionar. Ando só na bocha.

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