Alô
Sem folêgo. Foi assim que me senti quando te vi ali, parada. Carro emparalhado a você, transeunte na calçada. Logo, te reconheci. Paixão de longa data. Tez branca, macia, pequenina, cabelos curtos, acima do ombro. Corpo miúdo, mas com um bom toque de sensualidade. Sua ampla anca continua a me provocar. Passado a distração, decidi. Conversamos. Mal sei ao certo sua reação, mas que parecia espanto, parecia. Trocamos telefones. Já era algo de se vangloriar. Eu, nem tão velho para grisalhices, nem tão novo para penugens. Idade média. Os anos não parecem ter tido efeito sobre você. Continua irresistível desde o colegial. Tempos bons. Não voltam. Passado uns dias, tomei coragem e te liguei. Voz melosa, doce. Continuava me embriagando. Combinamos um filme. Não me pergunte sobre a história. Mal sei o título. Mataste toda sua fome . Dali, quarto. Corpos vorazes, linguas palpitantes, bocas unidas, braços e pernas misturados. Todo meu vigor, escondido há tempos, se manifestou. Não se sabia ao certo de quem era o quê. Como se fosse a última vez. Assim que nos entendemos. Porque hoje, vou-me embora. E foi. Deixei te em casa. Dia seguinte te liguei. Fora da área. Passei em seu prédio. O porteiro me disse que você nuca havia morado ali. Minha mente deu um nó. Assim como nossas pernas no dia anterior. Mútuo. Fui embora, desconsolado. A embriaguez da noite deve me ter feito esquecer o local correto. Mas ainda lembro do ritmo, da libido, de todo gosto de sua carne, de todas as apalpadas, todas as mordidas, lambidas entre outros. Era estranho demais não ter sido real. Olhei me no espelho. As marcas ainda estavam lá. Comprovei. Você, me largou. Esqueceu-me. Eu, lembrarei de ti. Te ligo mais uma vez. O telefone só toca. Era a bateria? Hípótese mais que provável. Tento uma terceira tentativa. Na singela expressão, um alívio. Ainda nos recordamos. Mais uma noite nos vimos. Na entrada do restaurante, te admirei. Você estava vestindo um... imagine.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário