Xariar
Não. Não suportaria vê-la com outro. Chegou em casa e a única coisa que conseguia pensar era naquela cena. Os dois ali, encostados no pilar da danceteria. Bocas mais que juntas, corpos quase em fusão. A temperatura do ambiente ainda ajudava a esquentar o clima do casal. Um ritmo frenético de mãos, bocas e pélvis. Se não fossem as roupas, seria atentado ao pudor. Só que não era ele que estava ali. Era só mais um. Um outro qualquer que ela encontrou na noite. Algumas horas atrás, uma briga. Ofensas mais que gratuitas. Um basta ao que já havia se quebrado faz tempo. Resolveu sair pra esfriar a cabeça. Ela também. Agora, em casa, tentando dormir mas atormetado. Ela, já em casa também, em prantos, arrependida pelo que fez. No dia seguinte, desvia a rota. Entra na loja escondida em meio a um beco, e deposita no balcão todo o dinheiro reservado pra uma viagem: Quero aquela ali. O Sol refletia o prateado do cano. Guarda na mochila. Uma ligação. Diz que precisam conversar. Atordoada, consente e marca em sua própria casa, dali uma hora. Em menos de meia hora de conversa, mais prantos e um beijo da pseudo reconciliação, que visa oficiliazar o término. As bocas se unem, e a atração é mais forte ainda. Mãos levantando blusas e abaixando braguilhas. Ritmos nunca antes experimentado entre os dois. Tudo muito bom porém muito rápido. Cansados e no mínimo confusos, deitam, cada um pra um lado. Ela dorme, tentando amenizar a sua confusão mental. Ele, se enraivece sabendo que é a última vez que isso iria acontecer. Se veste. Abre a mochila. Aponta a arma recém adquirida pra cabeça dela. A mão treme. Uma lágrima escorre. Um gatilho é disparado. As sirenes ecoam pelo bairro. Os paramédicos e bombeiros entram na casa, já cercada pela polícia. Lá fora o delegado, sem sucesso, pergunta o que aconteceu pra garota que chamou a polícia. Ela só teve coragem de ligar e dizer que havia um corpo em seu quarto. Perdera a voz tentando entender. Esparramdos pelo chão, ele encoberto de sangue e a arma. Sabia que precisava morrer em sua cabeça pra que ela seguisse em frente, mas não literalmente.
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